segunda-feira, 12 de outubro de 2009

.'. ARTE NA MAÇONARIA .'.

.'. DELTA VERSUS PENTAGRAMA .'.

.'. PENTAGRAMA I .'.
.'. ESSÊNCIA MAÇÓNICA .'.
.'. TEMPLO MAÇÓNICO .'.
.'. CRUZ ROSACRUCIANA .'.
.'. OPUS MAÇÓNICO I .'.
.'. OPUS MAÇÓNICO II .'.
.'. MUNDOS MAÇÓNICOS I .'.
.'. MUNDOS MAÇÓNICOS II .'.
.'. EVANGELISTAS DO NOVO DIA .'.colecção GOL - Grande Oriente Lusitano
.'. MAÇONARIA I .'.

.'. MAÇONARIA II .'.colecção ARGO - Associação Artística de Gondomar
.'. MAÇONARIA III .'.
.'. MAÇONARIA IV .'.
.'. MAÇONARIA V .'.colecção GOL - Grande Oriente Lusitano
.'. MAÇONARIA VI .'.colecção UNICEPE
.'. MAÇONARIA VII .'.
.'. MAÇONARIA VIII .'.colecção Margarida António

.'. MAÇONARIA IX .'.
.'. MAÇONARIA X .'.colecção Margarida António
.'. DELTA .'.
.'. PENTAGRAMA II .'.

.'. CAMILO CASTELO BRANCO .'. 

.'. MUNDOS MITICOS I .'.

.'. DELTA DA RESTAURAÇÃO .'.

.'. MAÇONARIA XI.'.

.'. MUNDOS MÍTICOS II .'.

.'. MISTICISMO .'.

.'. DELTAS .'.

.'. ESSÊNCIA MAÇÓNICA II .'.

.'. LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIADDE .'.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

.'. REGALEIRA .'.

.'. REGALEIRA .'.
Palácio da Regaleira


O Palácio da Regaleira é o edifício principal e o nome mais comum da Quinta da Regaleira. Também é designado Palácio do Monteiro dos Milhões, denominação esta associada à alcunha do seu primeiro proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro. O palácio está situado na encosta da serra e a escassa distância do Centro Histórico de Sintra. O edifício principal da quinta é marcado pela presença de uma torre octogonal. Toda a exuberante decoração esteve a cargo do escultor José da Fonseca. Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 2002.
Carvalho Monteiro, ajudado pelo arquitecto italiano Luigi Manini, dá à Quinta de 4 hectares, o palácio, jardins luxuriantes, lagos, grutas e edifícios enigmáticos, lugares estes que escondem significados relacionados com a Alquimia, Maçonaria, Templários e Rosa-Cruz. Modela a quinta em traçados que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.

Localização

Localizada na Estrada Nova da Rainha em pleno Centro Histórico de Sintra e bem perto do Palácio de Seteais, a quinta beneficia do micro-clima da serra de Sintra, que muito contribui para os luxuriantes jardins e os nevoeiros constantes que adensam a sua aura de mistério.

História

A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa para os tempos anteriores à sua compra por Carvalho Monteiro. Sabe-se que, em 1697, José Leite era o proprietário de uma vasta propriedade nos arredores da vila de Sintra, que hoje integra a Quinta.Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade (conhecida como Quinta da Torre ou do Castro em 1715), em hasta pública, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte aí existente.Em 1830, na posse de Manuel Bernardo, a Quinta toma a actual designação. Em 1840, a Quinta da Regaleira é adquirida pela filha de uma negociante do Porto, de apelido Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.A história da Regaleira actual principia em 1892, ano em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis. A maior parte da construção actual da quinta teve início em 1904 e estava terminada em 1910.A quinta foi vendida a Waldemar D'Orey em 1942 que, sem ter desvirtuado o que tinha sido concebido, procedeu a pequenas obras de modo a acolher a sua grande família e profundas obras de restauro, já que a casa não era cuidada há muito. Em 1987 a Quinta da Regaleira é adquirida pela empresa japonesa Aoki Corporation e deixa de servir como habitação, sendo entregue ao cuidado de caseiros e permanece fechada ao público.Em 1997, a Câmara Municipal de Sintra adquire este valioso património, iniciando pouco depois um exaustivo trabalho de recuperação do património edificado e dos jardins. Actualmente a Quinta da Regaleira está aberta ao público e é anfitriã de diversas actividades culturais.

A Maçonaria e a Quinta da Regaleira

Chama-se esotérico a um conhecimento oculto, seja doutrina ou técnica de expressão simbólica, reservado aos iniciados:. O esoterismo é, pois, o conjunto de práticas e de ensinamentos esotéricos, no contexto de uma tradição multifacetada que abrange diferentes épocas, lugares e culturas. A Alquimia, a Maçonaria e os Templários, por exemplo, incorporam teorias, rituais e procedimentos herméticos que se integram no âmbito do esoterismo:.Na tipologia do misticismo judaico, firmado na procura de Deus e na experiência da divindade, o esoterismo baseia-se, fundamentalmente, na lei das correspondências, que visa encontrar, através do recurso à analogia, relações simbólicas entre o divino e o terreno, entre o transcendente e o imanente, entre o visível e o invisível, entre o homem e o universo:. A passagem de uma a outra dimensão opera-se em cerimónias de iniciação, por meio de encenações e rituais de carácter mágico, nos quais o neófito recebe o segredo da transmutação, aceita a filiação no grupo de companheiros e acede a um nível espiritual superior:.A Franco-Maçonaria antiga, dita operativa, deriva das confrarias, das corporações, dos agrupamentos profissionais de pedreiros livres e dos construtores das catedrais medievais:. À defesa dos interesses profissionais, juntavam os franco-maçons, preocupações de carácter filantrópico, moral e religioso:. Os grupos maçónicos, organizados em sociedades secretas e reunindo em lojas, foram perdendo o carácter exclusivamente operativo e começaram a aceitar membros estranhos à profissão mas que perfilhavam os mesmos ideais iniciáticos:.O declínio das confrarias origina, por filiação directa, o aparecimento em 1717, em Inglaterra, da Maçonaria moderna, dita especulativa, uma vez que já não existe ligação à prática do oficio de construção, tendo utensílios como o esquadro e o compasso adquirido um valor eminentemente simbólico:.A Maçonaria provocou, praticamente desde o início, a oposição da Igreja Católica, embora muitos dos ensinamentos maçónicos, de inspiração cristã, preconizem a crença nas virtudes da caridade, na imortalidade da alma e na existência de um princípio espiritual superior denominado Grande Arquitecto do Universo:. Grande parte da simbologia maçónica, sobretudo a dos altos graus, inspira-se em correntes esotéricas tais como a alquimia, o templarismo e o rosacrucianismo, inscritas em diversos locais da Regaleira:.A alquimia tem por objectivo a transmutação real ou simbólica dos metais em ouro e por fim último a salvação da alma:. As operações alquímicas são realizadas num Atanor, ou seja, num forno alquímico de combustão lenta, com um cadinho e um balão nos quais se pretende espiritualizar a matéria e materializar o espírito:. Este propósito essencial da Alquimia operativa, executada em laboratório, é a obtenção da Pedra Filosofal, simbiose entre matéria e espírito, da qual poderia resultar, segundo os alquimistas, além da transmutação dos metais em ouro, a realização de um dos desejos ancestrais da humanidade: o elixir da longa vida, capaz de proporcionar saúde e eterna juventude:. Neste sentido, há quem considere a procura alquímica como uma metáfora da condição humana:. A Alquimia assumiu, depois do século XVIII, um carácter manifestamente religioso, dedicando-se sobretudo ao estudo das relações espirituais e energéticas entre o homem (microcosmo) e o universo (macrocosmo):. A partir de um trabalho erudito de equivalências e analogias, aceita-se que o universo nos engloba e nos interpela num só movimento existencial - ele é ao mesmo tempo transcendência (Outro) e nós próprios:.Parece evidente que a concepção religiosa do mundo que preside à Regaleira assenta no Cristianismo, mas num Cristianismo escatológico, que tem a ver com o fim dos tempos:. Quer recorramos à lição da escatologia cósmica, que prenuncia o fim do universo e da humanidade, quer nos atenhamos à escatologia individual, que assenta na crença da sobrevivência da alma depois da morte, é a mesma ideia obsessiva que encontramos:. É também um Cristianismo gnóstico, apoiado em discursos míticos e em conhecimentos sagrados que prometem a salvação dos fiéis e o retorno dos espíritos:. É, enfim, um Cristianismo imbuído de ideais neo-templários, associados ao Culto do Espírito Santo, que encontramos na tradição mítica portuguesa.Os templários foram monges-soldados, cuja ordem militar, fundada no período das Cruzadas em 1119, visava proteger os lugares santos da Palestina contra o perigo dos infiéis:. Os votos de pobreza e castidade não impediram os Cavaleiros da Milícia do Templo de enriquecer e de desempenhar um importante papel económico e político, tanto no Oriente como na Europa, a ponto de criarem poderosos inimigos, como o rei Filipe IV de França e o Papa Clemente V, que levaram à perseguição e à extinção da ordem em 1314, sob acusações, porventura falsas, de blasfémia e imoralidade:. Em 1317, D. Dinis de Portugal afectou os bens dos templários à Ordem de Cristo, que muitos aceitaram como sua sucessora:.Desaparecidos os templários não desapareceu o templarismo, cujo espírito, resumido na defesa dos lugares sagrados e na luta contra o mal, renasceu em várias correntes e organizações iniciáticas como sendo a afirmação simbólica da sobrevivência da Ordem do Templo:. A cruz templária no fundo do poço iniciático, a cruz da Ordem de Cristo no pavimento da Capela, bem como todas as outras cruzes dispostas na Capela, testemunham a influência do templarismo no ideário sincrético de Carvalho Monteiro:.Há ainda, na Regaleira, referências rosacrucianas, em alusão à corrente esotérica iniciada no séc. XVII, de tendência cristã, utilizando os símbolos conjuntos da rosa e da cruz:. O movimento Rosa-Cruz propunha reformas sociais e religiosas, exaltava a humildade, a justiça, a verdade e a castidade, apelando à cura de todas as doenças do corpo e da alma:. Tornou-se também grau maçónico de várias Ordens e, ainda hoje, existem algumas escolas esotéricas e sociedades secretas que pretendem assumir-se como reaparições da Ordem Rosa-Cruz.

A Quinta e pontos de interesse

Carvalho Monteiro tinha o desejo de construir um espaço grandioso, em que vivesse rodeado de todos os símbolos que espelhassem os seus interesses e ideologias. Conservador, monárquico e cristão gnóstico, Carvalho Monteiro quis ressuscitar o passado mais glorioso de Portugal, daí a predominância do estilo neo-manuelino com a sua ligação aos descobrimentos. Esta evocação do passado passa também pela arte gótica e alguns elementos clássicos. A diversidade da quinta da Regaleira é enriquecida com simbolismo de temas esotéricos relacionados com a alquimia, Maçonaria, Templários e Rosa-Cruz.

Bosque

O bosque ou mata que ocupa a maioria do espaço da Quinta, não está disposta ao acaso. Começando mais ordenada e cuidada na parte mais baixa da quinta, mas, sendo progressivamente mais selvagem até chegarmos ao topo. Este disposição reflecte a crença no primitivismo de Carvalho Monteiro.

Patamar dos Deuses

O Patamar dos Deuses é composto por 9 estátuas dos deuses greco-romanos. A mitologia clássica foi uma das inspirações de Carvalho Monteiro para os jardins da Regaleira.

Poço Iniciático

Uma galeria subterrânea com uma escadaria em espiral, sustentada por colunas esculpidas, por onde se desce até ao fundo do poço. A escadaria é constituída por nove patamares separados por lanços de 15 degraus cada um, invocando referências à Divina Comédia de Dante e que podem representar os 9 círculos do inferno, do paraíso, ou do purgatório. Segundo os conceituados ocultistas Albert Pike, René Guénon e Manly Palmer Hall é na obra 'A Divina Comédia' que se encontra pela primeira vez exposta a Ordem Rosacruz. No fundo do poço está embutida em mármore, uma rosa dos ventos (estrela de oito pontas: 4 maiores ou cardeais, 4 menores ou colaterais) sobre uma cruz templária, que é o emblema heráldico de Carvalho Monteiro e, simultaneamente, indicativo da Ordem Rosa-Cruz.O poço diz-se iniciático porque se acredita que era usado em rituais de iniciação à maçonaria e a explicação do simbolismo dos mesmos nove patamares diz-se que poderá ser encontrada na obra Conceito Rosacruz do Cosmos.A simbologia do local está relacionada com a crença que a terra é o útero materno de onde provém a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra, ou renascimento.O poço está ligado por várias galerias ou túneis a outros pontos da quinta, a Entrada dos Guardiães, o Lago da Cascata e o Poço Imperfeito. Estes túneis, outrora habitados por morcegos afastados pelos muitos turistas que visitam o local, estão cobertos com pedra importada da orla marítima da região de Peniche, pedra que dá a sugestão de um mundo submerso.

Capela da Santíssima Trindade

Uma magnífica fachada que aposta no revivalismo gótico e manuelino. Nela estão representados Santa Teresa d'Ávila e Santo António. No meio, a encimar a entrada está representado o Mistério da Anunciação - o anjo Gabriel desce à terra para dizer a Maria que ela vai ter um filho do Senhor - e Deus Pai entronizado.No interior, no altar-mor vê-se Jesus depois de ressuscitar a coroar uma mulher que pode ser Maria ou Madalena (de uma maneira mais contraditória). Do lado direito Santa Teresa e Santo António repetem-se, desta vez em painéis de mosaico. Do lado oposto um vitral com a lenda do sítio da Nazaré. No chão estão representados a Esfera Armilar ou Globo Celeste e a Cruz da Ordem de Cristo, rodeados de pentagramas (estrelas de cinco pontas).

A Torre da Regaleira

Foi construída para dar a quem a sobe a ilusão de se encontrar no eixo do mundo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

domingo, 23 de dezembro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

.'. OS TEMPLÁRIOS .'.

.'. Os Templários .'.
A Tragédia da Ordem dos Cavaleiros do Templo, no Século XIV,
despertou nos Povos Latinos, a Verdadeira Consciência da Liberdade

No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas - nos combates aos "infiéis" muçulmanos - a glória dos actos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Inspirados nas lendas célticas, constituíam-se os fiadores da fé, disputando a golpes de espada as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam.
Reinava em Jerusalém Balduíno II, que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros, blocos de mármore e de granito, assinalavam as ruínas de um grande Templo. Eram as ruínas do TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do século XI a.C., onde o génio artístico dos fenícios se revelava no rendilhado da pedra e na esbeltez das colunas monumentais, que sustinham nos seus extremos enormes abóbadas. Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Foi neste Templo que se deu a tragédia de Hiran, cuja lenda a Maçonaria recolheu, incorporando-a num dos seus mais belos rituais. Exteriormente, antes da destruição pelos romanos, no ano 70 d.C., era, o Templo, circundado por dois extensos corredores excêntricos, ocupando um gigantesco quadrilátero em direcção ao Nascente, tendo à esquerda o átrio dos Gentios e à direita o dos Israelitas, além das estâncias reservadas às mulheres e aos magos sacerdotes, a que se seguia o Santuário propriamente dito, ao centro do qual ficava o Altar dos Holocaustos.

“Pobres Cavaleiros de Cristo" (assim se chamavam os precursores dos Templários) atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as venerandas ruínas, não tardou que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo, só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Cabala. E, entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até junto de uma porta colossal chapeada a ouro, por detrás da qual devia estar o que durante dois milénios constituíra o maior Segredo da Humanidade. Pararam... Encimando a gigantesca porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É A MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA;
SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-TE DO MUNDO DOS VIVOS. Pálidos, os cavaleiros entreolharam-se e, pela primeira vez nas suas vidas, sentiram medo e desistiram. Pois não era a mera curiosidade que ali os conduzira ... ? Os " infiéis do Crescente " eram seres vivos e contra eles a cruz e a espada realizavam prodígios de valentia. Ali dentro, porém, não era a vida que palpitava e sim os aspectos da Morte, talvez deuses sanguinários ou potestades desconhecidas, contra as quais a força humana era impotente. Mas,... voltaram. Os reencontros sangrentos com os islamitas tornara-os insensíveis ao medo e, num certo dia, acicatados pelo desejo de conhecer a intimidade da Criação que a grande porta de ouro lhes ocultava, penetraram novamente na galeria dispostos a baterem-se com a própria morte. Hugo de Paynes, afoito, bateu com o punho da espada e bradou com voz potente: - EM NOME DE CRISTO, ABRI !!! E o eco das suas palavras repercutindo pelo emaranhado labirinto respondeu : " EM NOME DE CRISTO... ", enquanto a enorme porta, como se um ser invisível lhe movesse os fechos, rangeu os gonzos e escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro, em letras hebraicas marcadas a fogo, se lia o TETRAGRAMA YOD.
Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a " LEI " cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário, em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que "comprovavam" a heresia dos Templários. A "Lei Sagrada" era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão. A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica e Teogâmica, a KABBALAH. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ele é o emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica. É a Tríade que representa a Alma Solar, a Alma do Mundo e a Vida. É, a Unidade Perfeita.
Um raio de Luz intensa ilumina, então, aqueles espíritos obcecados pela ideia da luta e devotados à supressão da vida dos seres humanos que não comungam os mesmos princípios religiosos que os levou à Terra Santa.
Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que são propostas ao entendimento humano. Simbolizando o Absoluto, o Triângulo representa o Infinito, Corpo, Alma e Espírito, Fogo, Luz e Vida. Uma nova concepção, que pouco a pouco dilui e destrói a teoria exclusivista da discriminação das divindades, se apossa daqueles espíritos, até então mergulhados em ódios religiosos e os chama à Tolerância, ao Amor e à Fraternidade entre todos os seres humanos. A Teosofia da Kabbalah, exposta sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento, dá aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento.

Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: Se todos os seres humanos provêm de Deus, que os fez à sua imagem e semelhança, como compreender que os homens se matem mutuamente em nome de vários Deuses ?
Com quem está a verdade ?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e dos seus oito companheiros: na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e, no peito, uma cruz sangrando acariciava, no cruzamento dos braços, uma Rosa encantadora. A cruz, era o símbolo da imortalidade; a rosa, o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos, era a ideia da Criação. E, foi essa figura monstruosa e atraente, que os nove cavaleiros elegeram para emblema das suas futuras cruzadas.
Quando em 1128, Hugo de Paynes - primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo - se apresentou no Concílio de Troyes, a concepção dos Templários acerca da ideia de Deus, já não era “muito católica”. A divisa, inscrita no estandarte negro da Ordem, "Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria" não era uma sujeição à Igreja, mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD. Cavaleiros portugueses, italianos, francos, normandos e germânicos, acudiram a engrossar as fileiras da Ordem que, dentro em pouco, se convertia na mais poderosa Ordem do século XII.
Mas, a Ordem tornara-se tão opulenta de riquezas, tão influente nos domínios da cristandade, que o Rei de França (Filipe IV, o Belo), apelou ao Papa para a criação de uma Bula que confiscasse todas as suas riquezas e enviasse os Cavaleiros para as "Santas" fogueiras da Inquisição. Filipe estava atento. E, não o preocupava as interpretações heréticas, o gnosticismo. Não foi, portanto, a mistagogia que gerou a cólera do Rei de França e que causou o monstruoso processo contra os Templários. Foi a rapacidade de um monarca falido, para quem a religião era um meio e a riqueza um fim.

Malograda a posse da Palestina pelos Cruzados, pelo retraimento da Europa Cristã e pela supremacia dos turcos muçulmanos, os Templários regressam ao Ocidente, aureolados pela glória obtida nas batalhas. Essas batalhas, se não consolidaram o domínio dos Cristãos na Terra Santa, provocaram, contudo, a admiração dos muçulmanos, influindo sobre a moral dos Mouros que ocupavam parte da Península Ibérica. Inicia-se entre os Templários o culto de um gnosticismo ecléctico que admite e harmoniza os princípios de várias religiões, conciliando o politeísmo na sua essência, com os mistérios mais profundos do cristianismo. São instituídas regras iniciáticas que se estendem por sete graus, que vieram a ser adoptados pela Maçonaria (três elementares, três filosóficos e um cabalístico), denominados "Adepto", "Companheiro", "Mestre Perfeito", "Cavaleiro da Cruz", "Intendente da Caverna Sagrada", "Cavaleiro do Oriente" e "Grande Pontífice da Montanha Sagrada".
A Caverna Sagrada, era o lugar Santo onde se reuniam os cavaleiros iniciados. Tinha a forma de um quadrado perfeito. O ORIENTE, representava a Primavera, o Ar, Infância e a Madrugada. O MEIO DIA (Sul), o Verão, o Fogo e a Idade adulta. O OCIDENTE, o Outono, a Água, o Anoitecer. O NORTE, a Terra, o Inverno, a Noite. Eram as quatro fases da existência. O Fogo no MEIO DIA simbolizava a verdadeira iniciação, a regeneração, a renovação, a chama que consumia todas as misérias humanas e, das cinzas purificadas, retirava uma nova matéria isenta de impurezas e imperfeições. No ORIENTE, o Ar da Madrugada vivificando a nova matéria, dava-lhe o clima da Primavera onde a Natureza desabrochava em florações luxuriantes magníficas, acariciando a Infância. Vinha depois o OUTONO, o Anoitecer, o amortecer da vida, a que a Água no OCIDENTE alimentava os últimos vestígios desta existência. O NORTE, marca o ocaso da Vida. A Terra varrida pelas tempestades e coberta pela neve, que desolam e que matam, é o Inverno que imobiliza, que entorpece e que conduz à noite fria, a que não resiste a debilidade física, a que sucumbe a fragilidade humana. E, é no contraste entre o Norte e o Meio Dia que os Templários baseiam o seu esoterismo, alertando os iniciados da existência de uma segunda vida. Nada se perde. Tudo se transforma.

. . . vai ser iniciado um "Cavaleiro da Cruz" (grau 4).
O Grande Pontífice da Montanha Sagrada empunha a Espada da Sabedoria, e toma lugar no Oriente. Ao centro do Templo, num pedestal que se eleva por três degraus, está a grande estátua, símbolo da reunião de todas as forças e de todos os princípios (Masculino e Feminino, Luz e Trevas, ...). No peito amplo da estranha e colossal figura, a Cruz, sangrando, imprime à Rosa Branca um róseo alaranjado que pouco a pouco toma a cor de sangue. É a vida que brota da união dos princípios opostos. Por cima da Cruz, a letra "G". O iniciado, Mestre Perfeito, já conhece o significado dessa letra.
"A Catequese Cristã é apenas, como o leite materno, uma primeira alimentação da Alma; o sólido banquete é a Contemplação dos Iniciados, carne e sangue do Verbo, a compreensão do Poder e da Quintessência divina". "O Gnóstico é a Verdadeira Iniciação. A Gnose é a firme compreensão da Verdade Universal que, por meio de razões invariáveis, nos leva ao conhecimento da Causa...". " Não é a Fé, mas sim a Fé unida às Ciências, a que sabe discernir a verdadeira da falsa doutrina. Fiéis são os que apenas, literalmente, crêem nas escrituras. Gnósticos, são os que, aprofundando o sentido interior, conhecem a verdade inteira". " Só o Gnóstico é, por essência, piedoso ". " O homem não adquire a verdadeira sabedoria, senão quando escuta os conselhos duma voz profética que lhe revela a maneira porque foi, é e será tudo quanto existe."
O Gnosticismo dos Templários é uma nova mística, que ilumina os Evangelhos e que os interpreta à Luz da Razão Humana.
O Mestre Perfeito, entra de olhos vendados. Ajoelha e faz a sua prece:
" Grande Arquitecto do Universo Infinito, que lês em nossos corações, que conheces os nossos pensamentos mais íntimos, que nos dás o livre arbítrio para que escolhamos entre a estrada da Luz e a das Trevas". " Recebe a minha prece e ilumina a minha alma para que não caia no erro, para que não desagrade à Vossa soberana vontade ". " Guiai-me pelo caminho da Virtude e fazei de mim um ser útil à Humanidade ".

Acabada a prece, o candidato levanta-se e aguarda as provas rituais que hão-de conduzi-lo à meta da Verdade.
O GRANDE PONTÍFICE TEMPLÁRIO interroga o candidato a "Cavaleiro da Cruz" em tom afectivo e paternal: " Meu Irmão, a nossa Ordem nasceu e cresceu para corrigir toda a espécie de imperfeição humana". " A nossa consciência é que é o juiz das nossas acções. A ignorância é o verdadeiro pecado. O inferno é uma hipótese, o céu uma esperança". "Chegou o momento de trocarmos as arma homicidas, pelos instrumentos da Paz entre os Homens. A missão do Cavaleiro da Cruz é amar o próximo como a si mesmo. As guerras de religião são monstruosidades causadas pela ignorância, geradas pelo fanatismo. As energias activas, devemos orientá-las no sentido do Amor e da Beleza; mas, não se edifica uma obra de linhas esbeltas sem um sentimento estético apolíneo, que só se adquire pelo estudo que conduz ao aperfeiçoamento moral e espiritual".
“Respondei-me, se sois um Mestre Perfeito Templário". "Acreditais na ressurreição física de Cristo?" " Não ! ". " Acreditais que a morte legal absolve o assassino ? Que o Soldado não é responsável pelo sangue que derrama ? ” " Não acredito ! ". " Atentai agora, nas palavras do Cavaleiro do Ocidente, que vos dirá os sentidos que imprimimos ao Grau de Cavaleiro da Cruz ". " A Ordem do Templo criou uma doutrina e adquiriu uma noção da moral humana, que nem sempre se harmoniza com as concepções teológicas cristãs, apresentadas como verdades indiscutíveis. Por isso nos encontramos aqui, em carácter secreto, para nos concentrarmos nos estudos transcendentes por meio dos quais chegaremos à Verdadeira Harmonia ". " As boas obras dependem das boas inclinações da vontade, que nos pode conduzir à realização das boas acções ”.
" A Ciência deu-nos meios de podermos aperfeiçoar a Moral dos antigos, mas a inteligência diz-nos que além da Ciência existe a Harmonia Divina ". " Das acções humanas, segundo Platão, deverá o homem passar à Sabedoria, para lhe contemplar a Beleza ”.
Findas as provas, o iniciado dirigia-se para um Altar, onde o Sacrificador lhe imprimia o Fogo sobre o coração, o emblema dos Cavaleiro do Templo.
Foi esta ritualização, que influiu para que a " Divina Comédia " de Dante, fosse o que realmente é: uma alegoria metafísico-esotérica onde se retratam as provas iniciáticas dos Templários. Na DIVINA COMÉDIA, cada Céu representa um Grau de iniciação Templário. Em contraste com o Inferno, que significa o mundo profano - o verdadeiro Purgatório onde devem lapidar-se as imperfeições humanas - vem o Último Céu, a que só ascendem os espíritos não maculados pela maldade, isentos de paixões mesquinhas, dedicados à obra do Amor, da Beleza e da Bondade. É lá, o zénite da Inteligência e do Amor.
A doutrina iniciática da Ordem do Templo compreende a síntese de todas as tradições iniciáticas, gnósticas, pitagóricas, árabes e hindus, onde perpassam, numa visão Cósmica, todos os símbolos dos grandes e pequenos mistérios e das Ciências Herméticas. A Divina Comédia, foi o cronista literário da Ordem dos Cavaleiros do Templo.
Os Templários receberam da Ordem do Santo Graal o esquema iniciático e a base esotérica que serviu de base para o seu sistema gnóstico. Pois, o que era a Cavalaria Oculta do Santo Graal senão um sistema legitimamente Maçónico, ainda mal definido, mas já adaptado aos princípios da Universalização e da Fraternidade Humana? O Santo Graal significava a taça de que se serviu Jesus Cristo na ceia com os discípulos e na qual, José de Arimathéa teria aparado o sangue que jorrava da ferida de Cristo, produzida pela lança do centurião romano. Era a Taça Sagrada, que figurava em todas as cerimónias iniciáticas das antigas Ordens de Cavaleiros que possuíam graus e símbolos misteriosos e que a Maçonaria adoptou nalguns ritos. Os Templários adoptavam-na na iniciação dos Adeptos e dos Cavaleiros do Oriente, mas ela já aparece nas lendas do Rei Arthur, nos romances dos Cavaleiros da Távola Redonda, que eram de origem céltica, e na própria Igreja Católica, que a introduziu nas missas.
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A Ciência dos Números tinha para os Templários um significado profundo. Os Grandes Iniciados, como os Filósofos do Oriente, descobriram os mais íntimos segredos da natureza por meio dos números, que consideravam agradáveis aos Deuses. O grande alquimista
Paracelso dizia que os números continham a razão de todas as coisas. Eles estavam na voz, na alma, na razão, nas proporções e nas coisas divinas. A Ordem dos Cavaleiros do Templo, cultivava a Ciência dos Números no Grau de Cavaleiro do Oriente, ensinando que a Filosofia Hermética contava com TRÊS mundos: o elementar, o celeste e o intelectual. Que no Universo havia o espaço, a matéria e o movimento. Que a medida do tempo era o passado, o presente e o futuro; e, que a natureza dispunha de três reinos: animal, vegetal e mineral; que o homem dispunha de três poderes harmónicos: o génio, a memória e a vontade. A sua concepção em relação a Deus, o Grande Arquitecto do Universo, era Sabedoria, Força e Beleza. Tudo isto provinha do Santo Graal, a que os Templários juntavam que, em política, a grandeza, a duração e a prosperidade das nações se baseavam em três pontos primordiais: Justiça dos Governos, Sabedoria das Leis e Pureza dos Costumes. Era nisso que consistia a arte de governar os povos.
O Triângulo, encontrado no Templo de Salomão, era uma figura geométrica constituída pela junção de Três linhas e a letra YOD, no centro, significava a sua origem divina. Todas as grandes religiões também têm como número sagrado o Três. A Católica, exprimindo-o nas pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), nos dias que Cristo passou no sepulcro, nos Reis Magos, e nas vezes que São Pedro negou o Mestre. Nos Grandes Mistérios Egípcios, temos a Grande Trindade formada por Ísis, Osíris e Hórus. Entre os Hindus temos a Trimurti, constituída por Brahama, Shiva e Vishnu, personificando a Criação, a Conservação e a Destruição. Em todas elas, como no racionalismo, encontramos como elementos vitais a Terra, a Água e o Sol. Foi, portanto, baseada nas grandes Religiões e no Gnosticismo dos Templários, que por sua vez se inspirou no da Cavalaria Oculta do Santo Graal, que a Maçonaria adoptou como símbolo numerológico de vários graus o número três, que se vai multiplicando na vida maçónica, dos iniciados até á conquista da Sabedoria, da Força e da Beleza.

Apenas os profundamente convictos, isentos de dúvidas e fortes na sua crença de que acima da natureza só existia a própria natureza evoluída, é que recebiam a consagração da investidura do Grau.
" A natureza mortal procura quanto pode, para se tornar imortal. Não há, porém, outro processo senão o do renascimento que substitui um novo indivíduo a um indivíduo acabado". " Com efeito, apesar de se dizer do homem que vive do nascimento até à morte e que é o mesmo durante toda a vida , a verdade é que não o é, nem se conserva no mesmo estado, nem o compõe a mesma matéria ". " Morre e nasce sem cessar, nos cabelos, na carne, nos ossos, no sangue, numa palavra: em todo o seu corpo e ainda na sua alma ". " Hábitos, opiniões, costumes, desejos, prazeres, jamais se conservam os mesmos. Nascem e morrem continuamente ". " E, aquele que acaba, deixa em seu lugar um outro semelhante .
Todos os mortais participam da imortalidade. No corpo e em tudo o mais ”

Nota Final:
Às 3 da manhã, de 13 de Outubro de 1307, agentes do rei Filipe IV com a autorização do Papa, atacaram. Num assalto fulminante, acusaram e prenderam vários milhares de Templários por toda a França.
Mas, quando entraram no Castelo do Templo em Paris, sede geral da Ordem, descobriram que todos os documentos e o tesouro tinham sido removidos.
Também tentaram capturar a frota Templária - a maior da Europa - que estava atracada em La Rochelle. Mas, uma vez mais se frustrou a intenção: a frota já tinha partido.
Até hoje, a vasta riqueza dos Templários não foi encontrada; nem tão pouco foi descoberto para que porto seguiu a frota, ou onde atracou.

Gil Eanes, M\M\ (n.s.)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

.'. A MAÇONARIA E O ANTIGO EGIPTO .'.

.'. A MAÇONARIA E O ANTIGO EGIPTO .'.

Esta secção refere-nos a ligação entre a Maçonaria e o Antigo Egipto, que tem largamente sido relatada através de lendas, como a do assassínio do mestre Hiram Abiff. Sempre que seja propício, novos artigos serão publicados, tentando estabalecer uma relação mais concreta entre ambos.

I – O ASSASSÍNIO DE HIRAM ABIFF

"A lenda do Mestre Construtor [Hiram Abiff] é a grande alegoria maçónica. Na realidade, a sua história figurativa é baseada numa personalidade das Sagradas Escrituras, mas os seus antecedentes históricos são de acontecimentos e não da essência; o significado reside na alegoria e não em qualquer facto histórico que possa estar por detrás."
- A.E. Waite, New Encyclopedia of Freemasonry

A lenda de Hiram Abiff está intrinsecamente ligada às origens do Templarismo Germânico. "Alguns deste manuscritos do século XVII [preservando as 'Old Charges'] não se referem a Hiram Abif, o que levou alguns a crer que esta «personagem» seria uma invenção de um período mais recente. Todavia, o nome Hiram Abif era meramente uma das designações desta figura fulcral; ele é também mencionado como sendo Aymon, Aymen, Amnon, A Man ou Amen e, por vezes, Bennaim. É dito que Amen é a palavra hebraica para 'aquele em que se confia' ou 'o crente', o que se aplica perfeitamente ao papel de Hiram Abiff. Mas é também sabido que Amon or Amen é o nome do deus ancestral da criação de Thebas, a cidade de Sequenere Tao II. Poderá aqui existir uma ligação ancestral?"
- Christopher Knight & Robert Lomas, The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus.

Para o construtor iniciado, o nome Hiram Abiff significa 'Meu Pai, o Espírito Universal, uno em essênciao, três em aparência.'
Ainda que o Mestre assassinado seja o estereotipo do Mártir Cósmico - O Espírito crucificado do Bem, o Deus moribundo - cujo Mistério é celebrado por todo o mundo."

"Os esforços levados a cabo para descobrir a origem da lenda de Hiram demonstram que, apesar da forma relativamente moderna de representação da lenda, os seus princípios fundamentais remontam a uma longínqua Antiguidade. É habitualmente reconhecido pelos estudiosos maçónicos que a história do martirizado Hiram é baseada em antigos rituais egípcios do deus Osiris, cuja morte e ressurreição retratam a morte espiritual do Homem e sua regeneração através da iniciação nos Mistérios. Hiram é também identificado com Hermes através da inscrição na Placa de Esmeralda"
- Manly P. Hall, Masonic, Hermetic, Quabbalistic & Rosicrucian Symbolical Philosophy

"De acordo com as Escrituras, Hiram não era um arquitecto, mas um mestre no trabalho do latão e bronze. Ele não terá sido assassinado, mas terá vivido para ver o templo construido, tendo então regressado à sua terra natal."
- Baigent & Leigh, The Temple and the Lodge

"A única explicação razoável para se ter chegado ao verdadeiro nome do heroi maçónico é que Hiram significava 'nobre' or 'real' em Hebreu, enquanto Abiff foi identificado como sendo francês antigo para 'o que se perdeu', originando uma descrição literal de 'o rei que se perdeu'."
- Christopher Knight & Robert Lomas, The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus

Knight e Lomas avançam a teoria de que Hiram Abif era, na realidade, Sequenere Tao II, o verdadeiro rei egípcio que viveu em Thebas, cerca de 640 kilómetros a sul de Hyksos, capital de Avaris, perto dos limites do reino de Hyksos. Sequenere era o "novo rei do egipto, que não conhecia José", que foi vizir por volta de 1570 A.C. Apophis, especula-se, quereria conhecer os rituais secretos de Horus, que permitiam ao faraós transformarem-se em Osiris na morte e viver eternamente como uma estrela. Apophis enviou homens a seu soldo para extrair a informação de Sequenere, mas ele mais facilmente morreria com violentas pancadas na cabeça antes de contar alguma coisa; na verdade, foi o que aconteceu.

A identificação de Hiram Abif como sendo Sequenere baseia-se no crânio da múmia, o qual parece ter sido esmagado por três golpes aguçados, como os que foram deferidos em Hiram Abif. E quanto aos assassinos descritos no folclore maçónico como Judeus? Knight e Lomas sugerem que estes serão dois dos irmãos expatriados de José, Simeon e Levi, auxiliados por um jovem padre de Thebast. Como prova, Knight e Lomas apontam a múmia encontrada ao lado da de Sequenere. O corpo não embalsamado pertencia a um jovem que morreu com os orgãos genitais cortados, e com um estertor de agonia no rosto. Teria ele sido enterrado vivo como castigo pelo seu crime?

"Os rituais maçónicos referem Hiram Abif como o 'Filho da Viúva'... na lenda egípcia, o primeiro Horus foi concebido após a morte de seu pai, pelo que a mãe já era viúva mesmo antes da concepção. Parece lógico que, todos os que, daí em diante, se tornaram Horus, i.e., os reis do Egipto, se apelidaram de 'Filho da Viúva'" [ver «Isis, the Black Virgin» para mais informação.]
- Christopher Knight & Robert Lomas, The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus.


II - THOTH E ENOCH

"No antigo Egipto, aos engenheiros, projectistas, e maçons que trabalhavam nos grandes projectos arquitectónicos era concedido um estatuto especial. Eram organizados em corporações (ou associações) de elite..."

"Foram encontradas, pelo arqueólogo Petrie, provas da existência dessas corporações especiais, durante as suas expedições ao deserto do Líbano em 1888 e 1889. Nas ruínas de uma cidade construída por volta de 300 a.C., a expedição do dr. Petrie descobriu diversos registos em papiro. Uma parte descrevia uma corporação que mantinha reuniões secretas por volta de 2000 a.C.. A corporação reunia-se para discutir o nº de horas de trabalho, salários e regulamentos do trabalho diário. Reunia-se num local de culto e providenciava apoio a viúvas, orfãos e trabalhadores em dificuldades. Os deveres organizacionais descritos nos papiros são extremamente semelhantes áqueles atribuidos ao 'Vigilante' e 'Venerável' num ramo moderno da....Maçonaria."
- William Bramley, The Gods of Eden

"Eu sou o grande Deus na barca divina... sou um simples padre no inferno da sagração de Abido, subindo a degraus mais altos da Iniciação... sou o Grande Mestre dos artífices que elevaram o arco sagrado como suporte."
- Thoth to Osiris, The Egyptian Book of the Dead

"De acordo com uma velha tradição maçónica, o Deus egípcio Thoth 'teve grande participação na preservação do conhecimento do ofício maçónico e na sua transmissão á humanidade após as grandes cheias...'"
- David Stevenson, The Origins of Freemasonry

"O autor de um estudo académico bem fundamentado [The Origins of Freemasonry]... chegou ao ponto de dizer que, no ínicio, os Maçons consideravam Thoth como o seu patrono."

"O Livro de Enoch foi sempre de grande significado para a Maçonaria, e... certos rituais anteriores à época de Bruce (1730-1794) identificavam Enoch com Thoth, o Deus egípcio da Sabedoria." Na Royal Masonic Cyclopaedia há uma entrada referindo que 'Enoch é o inventor da escrita', 'que ensinava aos homens a arte da construção' e que, antes das cheias, ele 'temia que os verdadeiros segredos se perdessem - para o prevenir este escondeu o Grande Segredo, gravado numa pedra de pórfiro e enterrado nas entranhas da Terra'."
- Graham Hancock, The Sign and the Seal.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

.'. A ÁGUIA DE LAGASH .'.

A ÁGUIA DE LAGASH:
A "Águia de Duas Cabeças de Lagash" é o mais antigo brasão do Mundo:. Nenhum outro simbolo emblemático no Mundo pode rivalizar em antiguidade:. A sua origem remonta à antiquíssima Cidade de Lagash:. Era já utilizado há cerca de mil anos antes do Êxodo do Egipto, e há mais de dois mil anos quando foi construído o Templo do Rei Salomão:.

Com o passar dos tempos, passou dos Sumérios para o povo de Akkad, destes para os Hititas, dos recônditos da Ásia menor para a posse de sultões, até ser trazida pelos Cruzados aos imperadores do Oriente e Ocidente, cujos sucessores foram os Hapsburg e os Romanoff:.

Em escavações recentes, este «brasão» da Cidade de Lagash foi descoberto numa outra forma: uma águia com cabeça de leão, cujas garras se cravam nos corpos de dois leões, estes de costas voltadas:. Esta é, sem dúvida, uma variante do símbolo da Águia:.

A Cidade de Lagash situava-se na Suméria, no sul da Babilónia, entre os rios Eufrátes e Tigre, sendo perto da actual cidade de Shatra, no Iraque:. Lagash possuía um calendário de doze meses lunares, um sistema de pesos e medidas, um sistema de banca e contabilidade, sendo ainda um centro de arte e literatura, para além de centro de poderes político e militar, tudo isto cinco mil anos antes de Cristo:.

No ano 102 a.C., o cônsul romano Marius decretou que a Águia seria um símbolo da Roma Imperial:. Mais tarde, já como potência mundial, Roma utilizou a Águia de Duas Cabeças, uma voltada a Este e outra a Oeste, como símbolo da unidade do Império:. Os imperadores do Império Romano Cristianizado continuaram a sua utilização e foi depois adoptado na Alemanha durante o período de conquista e poder imperial:.

Tanto quanto sabemos, a Águia de Duas Cabeças foi primeiramente utilizada na Maçonaria em 1758, por uma facção maçónica de Paris - Os Imperadores do Oriente e Ocidente:. Durante um breve período, os Imperadores Maçónicos do Oriente e Ocidente controlaram os Graus avançados então em uso, vindo a ser percussores do Rito Escocês Antigo e Aceite:.

A inscrição em Latim por debaixo da Águia de Duas Cabeças - "Spes Mea in Deo Est" - significa: "A Minha Esperança Está Em Deus":.